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terça-feira, 3 de abril de 2012

Shakespeare está enganado

Uma das obras mais populares de William Shakespeare é o poema “Um dia você aprende”, que fala sobre algumas das experiências que vivemos na vida, principalmente as de cunho negativo. A obra até virou vídeo no YouTube e o texto está disponível aos montes em blogs de poesia. Eu gosto do texto, mas Shakespeare... Meu gênio... Preciso discordar de uma parte:

"Um dia você aprende que não temos que mudar de amigos se compreendermos que os amigos mudam."

É, sou petulante mesmo e ouso discordar do grande dramaturgo. Shakespeare está enganado. Às vezes é necessário mudar os amigos, sim, porque amigos são humanos e humanos podem mudar pra pior. Então, pensando nisso, te pergunto: como continuar amando quem não tem nada mais a ver com você? Como continuar admirando quem passa a acreditar em ideais contrários aos seus, princípios tão distantes da sua realidade quanto os polos da Terra?

Claro que as diferenças entre nós e nossos amigos são capazes de nos fazer crescer, expandir a mente e refletir acerca de assuntos que, por conta própria, não pensaríamos. É aquela velha teoria (totalmente coerente) de que o mundo seria insuportavelmente chato se todos fossem iguais.

Mas não é disso que estou falando. Quero dizer que existem diferenças que precisam funcionar mais como fator de união, do que de distinção, se é que você me entende. São as diferenças fundamentais da vida, aquelas que nos dão prazer de conversar com um amigo, que contraditoriamente nos proporciona afinidade, nos faz sentir parte de uma comunidade. Essas diferenças falam mais alto quando o assunto é amizade verdadeira e profunda. Mas se essas diferenças são grandes demais, se elas fazem de você alguém total e profundamente diferente de seu amigo, as coisas podem desandar.

E, quando passamos a enxergar um abismo de diferença entre nós e alguém, percebemos que o tempo passou e alguma coisa em você, ou no seu amigo, não acompanhou a mudança do mundo. E você se pergunta: como continuar amando quem em nada mais tem a ver comigo?

Bom... Se você tiver resposta pra essas indagações, me avise.


sexta-feira, 1 de julho de 2011

É o que você precisa

Dizem que decepção não mata, ensina a viver. Se for assim, a vida tem me ensinando a não confiar nas pessoas. Sinceramente? Estou cansada de gritar e não ser ouvida, de falar para as paredes, de lutar por causas que nunca ganham solução e nem ao menos melhoram. Estou cansada de promessas não cumpridas, de palavras vazias, de juras de amor sem atitude, de ausência de superação.

Estou farta de "eu te amo's" desenhados como enfeite. Vocês faltaram às aulas na escola? Quando é que vocês vão entender que AMAR termina com R porque é verbo, e que todo verbo é AÇÃO?

Tá faltando empregar movimento ao amor, faltam pedaços na palavra, falta atitude ao amar.

Esses dias, na casa de uma amiga, falávamos sobre as adolescentes idealistas e sonhadoras que fomos. Quando nos apaixonávamos o calor da emoção podia ser sentido com um simples toque. Inconsequentes, impulsivas, sonhadoras e dotadas de uma pureza tão comum em quem sonha em mudar o mundo...

O que aconteceu com aquela garota que não tinha medo de amar, que tinha gosto em se arriscar? Onde foi parar aquela menina que adorava conhecer novas pessoas, criar novos laços e fortalecer uniões antigas?

A garota chorona, que se emociona ao ver propaganda na TV, ainda está aqui - mais viva que nunca. Mas a moça quase que alienada de tão encantada pelas pessoas, pela mente humana e pela capacidade que o homem tem de amar; está dormindo um sono profundo.

Há quem sinta saudades dela, mas ela parece estar longe de acordar...

Entenda, pra esse meu problema não preciso de consolo, não preciso de palavras de auto-ajuda, não preciso ganhar mais amigos. Na verdade, só preciso acreditar que ainda é possível confiar no ser humano, que há gente boa no mundo e que nem todos se relacionam por interesse ou por acomodação.

Preciso de AMOR. Preciso de coerência e de respeito – tudo o que todos precisam. Em todos os momentos da vida.

domingo, 8 de maio de 2011

Para quem não ama de verdade

Por que as pessoas que amamos nos machucam?

Não consigo entender porque ferimos o coração das pessoas que amamos sendo que é pra elas que deveríamos dedicar todo tipo de respeito e cuidado.

O problema é que nosso ego e amor próprio não estão interessados em ser humildes e caridosos. No final das contas, é o meu coração e são os meus desejos que de fato interessam pra mim. Se for preciso passar por cima do amor de alguém pra que eu alcance minha satisfação pessoal, farei isso.

Essa é nossa vida, é assim que subsistimos. Erroneamente, claro, porque nos esquecemos que, se não cuidamos do coração de quem está próximo a nós, um ciclo infeliz se formará ao nosso redor. É a tal Lei da Ação e Reação. E o pior de tudo é que nem o interesse próprio tem funcionado. Nem o interesse de não ferir o outro para que ele não me fira tem sido motivo suficiente para mover corações e impedir-nos de machucar.

Há um discurso muito bonito vagando por aí dizendo “ame ao próximo!” E então você prega o amor ao mendigo jogado na calçada, prega a caridade, prega a justiça de tratar héteros e gays sem preconceito, prega a importância do respeito a um estranho qualquer; mas você nem sequer vive o amor para seu melhor amigo. Pregamos o amor às crianças famintas da África, mas não dispensamos amor sincero nem ao menos àqueles que dizemos amar de verdade.

“Eu te amo” virou vírgula no meio de uma frase qualquer, solta no caminho que trilhamos em busca da felicidade.

Não é à toa que Caetano Veloso, grande músico propagador de verdades sobre a vida, já cantava aquele clássico de Peninha que diz: “quando a gente gosta é claro que a gente cuida”. Afinal, essa deveria ser a realidade mais natural da nossa vida limitada, passageira e egoísta: cuidar de quem amamos.

Pena que, muitas vezes, vivemos a maior das incoerências dessa vida, dizemos amar, mas com nossas atitudes só sabemos ferir, matando no outro o sentimento que dizemos sentir por ele: o amor.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

"Ninguém liga pra mim"

É fato: na vida, seguimos nosso rumo com a maior rapidez possível, raramente lutando ou enfrentando a corrente, muito menos diminuindo a velocidade o suficiente para que nos apeguemos às situações e às pessoas que passam por nossa vida.

No alto da velocidade com que vivemos não tentamos nos agarrar a visões de mundo e opiniões, nós somente nos ligamos ligeiramente às coisas enquanto passamos pela vida, mas quando nos ligamos, é com inteligência, com interesse, e depois deixamos essas coisas irem embora, graciosamente, sem nos apegarmos.¹

As afirmações não são minhas. É o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, que possui mais de uma dezena de livros publicados, que é enfático: “ligações frouxas e compromissos revogáveis são os preceitos que orientam tudo aquilo em que [as pessoas] se engajam e a que se apegam.”

Mas o que pode parecer filosófico demais ou difícil pra alguns, pode ser traduzido de forma simples: a sociedade atual não quer compromissos, ligações intensas, não quer apego. Tudo o que interessa para as pessoas da pós-modernidade (leia-se 'dos dias de hoje') é nada mais que o efêmero, o passageiro, o superficial.

A questão é polêmica, mas quero tornar a reflexão fácil. É como se nossos dias fossem como uma falsa amizade, daquele tipo que é movida e mantida pelo interesse: superficial, que se importa, na verdade, somente com o próprio bem-estar, e não com a satisfação do outro ou em dar atenção ao outro.

Tá achando isso aqui familiar?

Então, meu caro, minha querida, reflita se você tem mostrado ser mais um nadador a favor da corrente, ou se você realmente se importa com os laços de amizade, carinho e respeito que têm. Se é que construiu algum suficientemente sólido na vida...

O simples hábito de manter contato com quem está longe, de deixar um recado na internet, de dizer EU TE AMO, mesmo sendo membro dessa sociedade que não está interessada em ligações intensas, pode ser uma luz em meio a uma realidade tão tenebrosa, pouco acolhedora.

Afinal, dói não saber o que está acontecendo na vida das pessoas que amamos. É como se a realidade jogasse na nossa cara: “você não faz parte mais da vida dele, dela”. Pense nisso.




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1 - BAUMAN, Zygmund. Vida líquida. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2007, p 11. No trecho, Bauman cita Barefoot Doctor, pseudônimo de um colaborador da Observer Magazine, de 30 de novembro de 2003, p. 95.



sábado, 13 de junho de 2009

Quando lembro

Quando lembro minha infância, confesso que uma tristeza misturada a uma leve alegria invade meu coração... Vejo fotos e, quando menos espero, lágrimas enchem meus olhos. Desejo voltar no tempo. Não voltar pra ficar. Só voltar.

Quando paro e olho meus amigos, crescidos como eu, me sinto injustiçada pela vida. Porque o tempo passa tão depressa?

Lembro e me sinto velha. Antes de ontem eu estudava pra prova de recuperação de matemática. E ontem mesmo! Que coisa! Começava na faculdade. Injustiçada pela vida. Até alguns dias a gente corria pelo pátio da escola! Hoje você tem um bebê nos braços. Algo de errado acontece comigo?

Conversar por horas com os amigos ou não fazer nada na companhia deles. Rir das piadas mais idiotas ou simplesmente chorar por que um dos nossos partiu. Pra sempre ou pra longe...
Juntar moedas pra comprar doces na esquina, preparar um almoço pra turma toda. Tocar violão numa roda onde todos parecem se gostar, onde as diferenças são pontes para o crescimento e o amor. Era a vida passando diante de mim e eu nem percebi.

Eu continuo vendo a vida escapando das minhas mãos, não por eu estar inerte e não vive-la. Eu a vejo passando porque ela simplesmente é um ciclo, não para. E esse ciclo me consome. NOS consome. Afinal, o tempo não passa só pra mim. Sei até que pra mim passou pouco. Dizem que eu tenho muito, muito que viver ainda...

Mas a gente tenta sufocar esse ciclo. E, pra fazer isso, tenho certeza que a máquina mais vendida do mundo seria uma que nos permitisse voltar no tempo. Mas não qualquer “máquina do tempo”. Eu queria uma que me permitisse ver meu passado se desenvolver diante dos meus olhos. Redundante, mas é isso: eu queria me assistir. Me ver agir, me ver viver. Pela primeira vez eu estaria sendo passiva diante da vida. Você já conheceu alguém que não quisesse, mesmo que uma vez ou por segundos, caminhar em direção ao passado para reviver algo que lhe marcou?

Eu seria a primeira a comprar essa máquina.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

- O poder da saudade

Certa vez ouvi uma frase que dizia que "as pessoas entram na nossa vida por acaso, mas não é por acaso que elas permanecem" (L.Tonet).

Fiquei imaginando como essa frase, que parece ser tão simples, pode expressar de forma tão completa uma verdade: a verdade de que há pessoas que passam por nós, e que nos marcam pra sempre.

Durante nossa vida, conhecemos pessoas, convivemos com elas, criamos afinidades, e muitas se tornam nossas amigas de verdade. Sentimentos profundos que nos une, que nascem no coração. Admiração, respeito, carinho, o puro amor...

Aí, muitas dessas pessoas que entraram na nossa vida, simplesmente deixam de nos fazer companhia. Algumas pelas circunstâncias da vida; outras partem cedo demais...

No meio disso tudo e de uma vida tão conturbada, ficam registrados na memória bons momentos, risadas, viagens, conversas... Momentos de incerteza que resultaram na mais pura felicidade.

Porquê é que têm que ser assim? Porquê temos que crescer, deixarmos de ser inocentes, puros, felizes com as coisas mais simples?

Porquê é que quando olhamos fotos do passado, parece que não tínhamos do que reclamar da vida?

O pior é que, se há uma verdade, é a de que grande parte dos maus hábitos que adquirimos na vida, os contraímos justamente depois que "perdemos" nossa infância.

Talvez devessemos ser mais nostálgicos, mantendo fresco na memória tudo de bom que aprendemos em nossa meninice.

Dos que não estão mais entre nós, ficam as saudades e o agradecimento pela vida de luta, de sorrisos, de palavras de ânimo e de exemplo.

Hoje eu enxergo que não preciso chorar de saudade, mesmo que ela doa e talvez jamais cicatrize.

“E quando o dia não passar de um retrato colorindo de saudade o meu quarto, só aí vou ter certeza de fato que eu fui feliz".
Fotografia/ Léo Jaime e Leoni - meu coração se aperta como se presentisse um estado de eterna saudade.



(Foto: set/2006. Um dos melhores anos da minha vida. Na ocasião, comemoração de dois aniversários com os amigos reunidos)


Conversando com as paredes? Junte-se a nós e fale com gente!