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sexta-feira, 1 de maio de 2015

Que seja

Que ele saiba tocar violão. Ou violino, ou piano... Que ele cante. Que goste de MPB, bossa nova, soul e R&B. Que seja curioso, engraçado, goste de piadas, mas também saiba falar sério de vez em quando. Que se preocupe com os animais, que goste de ler, de ver filmes, viajar e até acredite que qualidade de vida começa no prato da gente.

Que goste de frio, mas, principalmente, daquele solzinho gostoso que domina o céu azul e aquece a gente quando o vento gelado do inverno bate. Que goste de histórias, de pessoas, de vidas. Que goste de quem tem muito o que ensinar.

Que goste de abraçar, sorrir, beijar, que não oprima a emoção e a lágrima. Que não tenha medo de falar o que sente, que não deixe de sentir o que surge de repente, que até tenha medo do desconhecido, mas que não fuja de vivê-lo.

Que ele pisque quando quiser dizer oi sem pronunciar nada. Que seja cheiroso. Que tenha furinho na bochecha, ou no queixo, e que as covinhas apareçam quando ele sorri. Que o sorriso dele seja porto seguro, seja paz.

E que ele seja alto pra eu me sentir protegida, que seja decidido pra eu me sentir segura, que seja doce pra eu me sentir amada.

Que tenha pés no chão, mas permaneça de braços abertos, prontos pra voar. Voar tão alto quanto sonha o Criador de tudo. E que ele seja amigo íntimo desse Criador, melhor amigo dAquele que tem o universo nas mãos. Que ele dedique tempo, talentos, energia e amor aos sonhos dEle.

Que ele sinta paz ao meu lado. Que se sinta completo comigo e que eu seja aquela companhia mais agradável. Que seja moreno ou branco. Que tenha olhos escuros ou claros. Que seja advogado, professor, administrador ou jornalista. Que seja vendedor, dentista ou engenheiro, ou nada disso, talvez um alguém sem rótulo, sem prescrição, sem descrição. Que seja meu e, eu, dele. Que seja feliz. Que seja muito feliz.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

No mínimo, mais que um

Senti aquela inquietação, aquela ‘coceirinha’ de vontade de escrever que só quem se alimenta de palavras sente. É claro que nem sempre as palavras acompanham a velocidade do coração. Nem toda ansiedade de escrever pode ser suprida no dedilhar das teclas. Nem todo sufocamento pode ser aliviado com o abrir do coração.

Mesmo assim, resolvi falar de solidão. E já que as palavras não curam meu problema, ao menos me fazem companhia. Por isso, preciso falar da necessidade de afeto, da importância do sorriso, da preciosidade da amizade. Não fomos feitos para sermos só.

Namorado, marido, amigo, irmão: nascemos para termos um codinome, apesar de odiarmos rótulos. Porque, nesse caso, ser namorado, marido, amigo ou irmão não é bem um rótulo, é ser pedaço do coração de alguém. Até porque, pense bem! Estar acompanhado é não estar só, até mesmo no caso de quem está mal acompanhado. Vinícius de Moraes já dizia que “mesmo o amor que não compensa é melhor que a solidão”... Entende por que tantas pessoas não conseguem largar uma má companhia?

Mas o fato é que eu falava, em outras palavras, que fomos feitos mesmo para sermos grupo. Quem é só, é pó. É grão, é fagulha, é areia, centelha, miudeza. E fomos feitos para a grandeza. Para o amor, para o afeto, para a companhia, para o agrado, para o abraço. Afinal, não se pode abraçar só: é preciso ser dois ou, no mínimo, mais que um.