Que ele saiba tocar violão. Ou violino, ou piano... Que ele cante. Que goste de MPB, bossa nova, soul e R&B. Que seja curioso, engraçado, goste de piadas, mas também saiba falar sério de vez em quando. Que se preocupe com os animais, que goste de ler, de ver filmes, viajar e até acredite que qualidade de vida começa no prato da gente.
Que goste de frio, mas, principalmente, daquele solzinho gostoso que domina o céu azul e aquece a gente quando o vento gelado do inverno bate. Que goste de histórias, de pessoas, de vidas. Que goste de quem tem muito o que ensinar.
Que goste de abraçar, sorrir, beijar, que não oprima a emoção e a lágrima. Que não tenha medo de falar o que sente, que não deixe de sentir o que surge de repente, que até tenha medo do desconhecido, mas que não fuja de vivê-lo.
Que ele pisque quando quiser dizer oi sem pronunciar nada. Que seja cheiroso. Que tenha furinho na bochecha, ou no queixo, e que as covinhas apareçam quando ele sorri. Que o sorriso dele seja porto seguro, seja paz.
E que ele seja alto pra eu me sentir protegida, que seja decidido pra eu me sentir segura, que seja doce pra eu me sentir amada.
Que tenha pés no chão, mas permaneça de braços abertos, prontos pra voar. Voar tão alto quanto sonha o Criador de tudo. E que ele seja amigo íntimo desse Criador, melhor amigo dAquele que tem o universo nas mãos. Que ele dedique tempo, talentos, energia e amor aos sonhos dEle.
Que ele sinta paz ao meu lado. Que se sinta completo comigo e que eu seja aquela companhia mais agradável. Que seja moreno ou branco. Que tenha olhos escuros ou claros. Que seja advogado, professor, administrador ou jornalista. Que seja vendedor, dentista ou engenheiro, ou nada disso, talvez um alguém sem rótulo, sem prescrição, sem descrição. Que seja meu e, eu, dele. Que seja feliz. Que seja muito feliz.
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sexta-feira, 1 de maio de 2015
domingo, 26 de abril de 2015
Para um realista esperançoso
Não é fácil esperar. Não é fácil acreditar que um dia o amor vem. O amor, aquele de verdade, não o de filme, mas o real, o sincero, o pra valer. Aquele que te faz enxergar felicidade mesmo depois de uma briga.
É difícil não perder a cabeça com pressão dos amigos. Difícil não se cobrar diante da pressão da família, da sociedade... Mas que besteira! Pra que tanta pressão? Como se a gente fosse definir quando, onde, como e por quem se apaixonar... Besteira acreditar que, falando hoje, o outro vai amar amanhã.
Aí você espera. Mas é difícil esperar. É difícil acreditar que o amor é pra todos quando você, de verdade, nunca soube o que é isso. De verdade no sentido de ser correspondido, de ser aceito e ser alguém pro outro. De verdade no dar amor, afeto, coragem, companhia pro outro. Que besteira! Como as pessoas podem achar que equalizar diferenças, personalidades, sonhos e vontades, se resume a um sentimento que queima o coração e só?
Como podem pensar que fixar sintonia entre dois mundos, entre frustrações, expectativas, perdas e ganhos, é uma questão de apaixonar-se e fim? Amor não pode ser só sentimento. Amor não é. Amor é escolha, é ação, é reação no momento inesperado. Sentimento passa, como passa a raiva, a tristeza ou a euforia. Amor dura, amor calcula, pensa, reflete, amor se movimenta, age.
Não é fácil esperar, esperar pelo que acontece sem hora marcada. Num mundo tão cheio de egos, umbigos e auto-suficiência, ele parece cada vez mais distante, está raro encontrar o amor. Aquele de verdade, o real, o pra valer. Mas, como disse Suassuna, "o otimista é um tolo. O pessimista, um chato. Bom mesmo é ser um realista esperançoso."
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