“Pastores” incoerentes, cheios de más intenções, que enganam e, literalmente, roubam os “fiéis”, estragam aquilo que há de bom na religião. Estou cansada de ver pessoas relacionando maus cristãos a Jesus - o Mestre do amor, o Cristo da compaixão e do respeito. Me dá nos nervos ver gente achando que todo “evangélico” é igual, que todas as igrejas são santuários da enganação e que todo cristão é trouxa. Mas como lutar contra isso numa sociedade onde ser diferente é ser normal, desde que não seja alguém tão diferente como é um crente?
Me machuca ver que é quase impossível um cristão falar sobre homoafetividade sem parecer preconceituoso, enquanto as religiões são todas consideradas farinha do mesmo saco. Por favor, me entenda: não estou julgando o nível de mérito de religiosos e gays, como se religiosos fossem mais vítimas que homoafetivos. Não é isso. Até porque, se colocarmos na balança, conheço gays que são muito mais éticos e decentes que muita gente que se diz religiosa.
Entretanto, me dói profundamente ver que centenas e mais centenas de pessoas deixam de viver um relacionamento racional, sincero e coerente com Deus porque não veem um Deus racional, sincero e coerente na vida dos cristãos que elas conhecem.
E, em meio a tudo isso, não há como fugir da realidade: foi na modernidade que a Igreja caiu em descrédito e, de lá pra cá, crenças, princípios e valores fazem cada vez menos sentido. Não faz sentido pertencer a uma religião, é insano cultuar o Deus real, o Deus da Bíblia. E, hoje, ao observar a sociedade na qual vivemos, percebo que há fartura de gente espiritualizada, mas poucas pessoas dispostas a ter uma vida verdadeiramente relacional.
"Que os homens aprendam pelo menos qual a fé que rejeitam antes de rejeitá-la.” [Blaise Pascal, físico, matemático e filósofo do século XVII.]
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terça-feira, 5 de fevereiro de 2013
Ser diferente, mas nem tanto
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sexta-feira, 8 de julho de 2011
Correndo da vida
Nada mudou tanto a vida das pessoas quanto o fator velocidade, isso é, a necessidade capitalista de acelerar a produção e, assim, alcançar mais rapidamente nossos objetivos. Mas esse fenômeno não é recente. A velocidade começou a alterar a rotina da sociedade logo nas primeiras décadas dos anos 1900 e as mudanças causadas pelo desejo de conquistar velozmente bens e status passaram a extrapolar os limites do nosso bolso e atingir nossos relacionamentos.
Para a psicóloga Isleide Fontenelle, doutora em Sociologia pela USP, uma vida cada vez mais veloz e instantânea em relação ao tempo causou a diluição das experiências humanas¹. Isso significa que perdemos, inclusive, a noção da profundidade e da importância que têm as muitas experiências pelas quais passamos na vida.
Foi no início do século 20 que a civilização começou a ver crescer um novo tipo de capitalismo: focado no progresso técnico, nas indústrias e no desenvolvimento tecnológico. Tudo isso nos levou a planejar nossa existência no limite do tempo, sempre competindo contra ele.
O carro surge como um agente fundamental da vida humana, tomando o lugar das carroças, que passaram a não mais atender a necessidade de poupar tempo nas ruas trepidantes das cidades. Criam-se os teares industriais, que passam a produzir dezenas de vezes mais, e surge o fast food, opção mais rápida de alimentação. A pavimentação dos centros urbanos também surge como alternativa valiosa em prol da aceleração da média de velocidade dos carros. Ou seja, todas essas mudanças foram esforços que se tornaram indispensáveis para que ele – o tempo – mais uma vez, fosse poupado.
Mas será que uma vida tão acelerada não traz prejuízos? Ao produzir em maior escala, o consumo também precisou aumentar. Sendo assim, as experiências humanas, citadas no início do texto, sofreram alterações. E para pior. Para a psicóloga Isleide, foi por causa da vida em constante aceleração que “a busca da felicidade atrelou-se, definitivamente, ao consumo de bens e serviços”. Não é a toa que propagandas tentam nos vender produtos cada vez mais sofisticados, mas que, se pararmos pra pensar, na maior parte das vezes são produtos que já temos.
Além disso, o homem de hoje parece não ter raízes ou alguma segurança que lhe dê sentido à vida, "ele está freneticamente apressado, talvez porque não saiba para onde vai, mas, ao mesmo tempo, vive paralisado pelo medo, talvez porque não saiba o que lhe dá medo"².
O problema é que essa paralisia se expande para todas as áreas da vida como, por exemplo, o amor e a política. Ou vai me dizer que você não vê à sua volta jovens pouco interessados em política, indivíduos egoístas que priorizam relações passageiras e sem compromisso, assim como pessoas cheias de princípios dispensáveis?
Não há como negar: presenciamos a “mais profunda apatia dos tempos modernos”, enxergamos uma "crescente desesperança de modificar a sociedade e de até mesmo entendê-la. As pessoas convenceram-se de que o importante é viver para o momento. Essa é a paixão predominante: viver para si”³.
Então... Será que me encaixo nessas descrições? E, você, faz parte deste grupo?
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1- FONTENELLE, Isleide. O nome da marca: McDonald's, fetichismo e cultura descartável. 1 ed, São Paulo: Boitempo Editorial, 2002.
2 - MILLS, Wright. A nova classe média. Rio de Janeiro: Zahar, 1696, p. 17-18.
3- LASCH, Christopher. A cultura do narcisismo: a vida americana numa era de esperanças em declínio. Rio de Janeiro: Imago, 1983, p. 24.
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