quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Rotina de escolher

Fazer escolhas não e fácil. Engraçado.
Não deveria ser assim, afinal, escolhemos centenas de coisas todos os dias. Na maioria das vezes, até de maneira inconsciente. E, por mais que escolhamos agora, dentro de pouco tempo precisaremos tomar outras decisões. A vida é uma rotina de escolher.

Escolher roupas, amigos, lugares, comidas. Optar pelo bom ou mal-humor, cabelo comprido ou curto, preso ou solto, cortar ou deixar como está. É escolher entre o suco ou o leite, o doce ou o salgado, o quente ou o frio, o ônibus ou à pé.

É escolher ficar, ou ir. Continuar, ou começar tudo de novo. A vida é uma rotina de escolher. Escolher caminhos.

Não só ruas ou calçadas, lado direito ou esquerdo da avenida. A vida é uma rotina de escolher, rotina porque dessa sina ninguém escapa. Até quem não quer viver pra não ter que escolher, acaba optando por definhar ou morrer.

Mas não é fácil escolher, como já disse. Não é fácil até quando todos acham que é.
Às vezes parece que o errado é você – que é você quem não sabe decidir. Mas nem sempre o óbvio é o mais fácil. Geralmente a escolha certa é a mais difícil de ser tomada. E isso não é conspiração, é uma questão de visão. Se pra mim essa não é a escolha ideal, talvez, pra você, ela seja a determinante, a certeira. Questão de individual.

Mas nem importa mais se já passei da fase de ter meus vestidos, sapatos e penteados escolhidos pela minha mãe. Se já não há mais tempo pra decidir entre fazer a tarefa da escola ou ver TV antes que os pais cheguem. Não me interessa se determinar Ursinhos Carinhosos ou Power Rangers como melhor desenho animado já não é mais minha prioridade de vida.

O fato é que a gente cresce, e já não há mais pra onde correr. De tudo isso, sobra a vontade de não ter quer decidir pra sempre.

Ao invés disso, queria poder escolher tudo, e não definir nada. Poder escolher e não me arrepender, decidir e voltar atrás, mudar de ideia e não prejudicar. Que bom seria se nossas escolhas fossem tão simples como optar sorrir, quando isso é tudo o que o coração deseja.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Vá até o fim

Um dia desses quando eu estava na minha cama, vivendo aquele momento que antecede o “dormindo profundamente”, comecei a pensar no quanto sou fraca. Falo de fraqueza no sentido de desistir facilmente, de não persistir na busca pela realização dos desafios que estabeleço para mim. Decidi, então, escrever sobre isso. E, no dia seguinte, fui procurar saber a diferença exata entre persistência e perseverança.

Abri o dicionário e lá estava escrito:
Persistência: perseverança, constância, teimosia.
Perseverança: persistência, constância, firmeza.

Preciso te dizer que, a partir desse dia, não tratei persistência e perseverança como palavras sinônimas. Tudo por culpa da teimosia, essa palavrinha que aparece na explicação do que é persistência.

Eu fui muito levada quando criança. E era teimosa. Se você tem filhos deve saber o que estou falando. Criança teimosa é quase que nem um jumento empacado - que nem falam no nordeste - não sai do lugar. Não muda de ideia. Minha mãe diz que “puxei” essa característica do meu pai, o maior cabeça-dura lá de casa. O fato é que a teimosia, um tipo de insistência muitas vezes irritante, me fez ver que persistência e perseverança não são a mesma coisa.

Fico, então, com a perseverança, que parece ser um misto de persistência e esperança, e que defino aqui como uma qualidade rara e distorcida hoje em dia. Explicarei.

É rara porque costumamos desistir com incrível facilidade. Imagine que você passou a semana inteira sonhando em tomar um milk-shake. Aí, finalmente, o sábado chega se mostrando um dia extraordinariamente lindo. Você recebeu o salário na sexta-feira, está de bom humor e os vizinhos chatos que sempre fazem visitas inoportunas viajaram. Parece que tudo conspira em favor do suculento milk-shake.

Já está decidido. Depois de passar o dia curtindo sua casa, às 19 horas você será o primeiro na fila do milk-shake da lanchonete da esquina de cima da sua casa. Vai pedir um sabor chocolate. Assim, você mata duas vontades de uma só vez: a de tomar um milk-shake bem gelado e a de sentir o gosto, quase esquecido, de chocolate. O trabalho anda exigindo tanto de você que nem aquelas escapadas estratégicas em horário de expediente pra comer uns pedacinhos de Suflair são possíveis mais.

São 18 horas. Você decide tomar um banho antes de ir à lanchonete para dar alegria ao seu estômago. Passa pela janela e dá uma conferida no movimento do lado de fora. Mas, para sua surpresa, está chovendo!

Ah, não! Chuva? Agora? Ah... Mas às vezes é só uma garoazinha fina... Então, olha de novo pela
vidraça. A chuva aumenta! E o vento assobia pra você que também está frio. Pronto. Adeus ao milk-shake, à lanchonete e ao estômago feliz.

Você desiste de sair de casa por causa da chuva. Afinal, é noite de sábado e você não quer se molhar depois de dar uns passos apressados, embaixo de um guarda-chuva, até a lanchonete. Então a decisão é essa mesmo: “não vou mais. Desisto”. Sábado que vem você vai, né? Dá pra esperar mais uma semana.

Será?

Se você desiste de um mísero milk-shake por causa de uma chuvinha, será que não anda desistindo de coisas bem mais importantes também?

Enfim, como eu disse, além de rara a perseverança está distorcida também. Muitas vezes insistimos em algo por motivos pequenos. Perseveramos por um milk-shake de chocolate sim, mas não pelo sonho de se graduar naquele curso que realmente gostaríamos. Ou, talvez, você tenha deixado de lado aquele plano de começar a fazer exercício físico. Até porque o projeto foi feito nas vésperas do réveillon de 2010 para ser praticado assim que o novo ano começasse. E, agora, já se passaram quatro meses. Acho que nem adianta mais.

Na verdade, eu não sei qual o sonho que você acalentava no coração e, por não perseverar o suficiente, não realizou. Não sei se era grande a ponto de poder interferir no percurso da sua vida, ou pequeno, como o simples desejo de tomar milk-shake no sábado passado.

A boa notícia, porém, é que se você está lendo esse texto, é porque a vida não acabou pra você. E, se não acabou, ainda dá tempo de fazer acontecer aqueles planos.

Eu também já planejei muito e não coloquei em prática também, mas esqueço que ainda posso tornar realidade meus sonhos. Não posso dar espaço para minha fraqueza, aquela tendência infeliz de desistir daquilo que eu quero. Até porque o mundo parece ser não muito simpático com pessoas fracas.

É óbvio que não é fácil ser perseverante. Se fosse fácil eu não tinha dado tantos cabelos brancos à minha mãe. A perseverança dela em me educar custou anos de paciência. Na verdade, é aqui onde quero chegar. A paciência é a chave de tudo isso, é o segredo da perseverança. É como escalar uma montanha, não é possível chegar ao cume dando um passo só. Para subir um morro é preciso, também, paciência.

A paciência dá força à perseverança. Eu, pelo menos, não conheço pessoas que são perseverantes e impacientes. Já pessoas pacientes que perseveram, são encontrados com demasiada facilidade.
Para finalizar, quero dar uma perola de presente para você, uma pequena porção de conhecimento: uma citação de um escritor irlandês que viveu quase 100 anos.

“As pessoas estão sempre culpando as circunstâncias pelo que elas são. Não acredito em circunstâncias. Vence neste mundo quem sai à procura das circunstâncias de que precisa e, quando não as encontra, as cria.” George Bernard Shaw

Não sei por que Bernard Shaw escreveu essa frase, mas sei que ele estava realmente inspirado quando a criou. Pense nessas palavras. Não se passe por vítima porque a vida não realizou seus sonhos. Ela não pode fazer por você aquilo que VOCÊ deve fazer por si mesmo.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Preciso falar...

Preciso falar que eu adoro quando você diz: “nós já conversamos sobre isso.”

Adoro quando você me dá um sorriso semicerrado, com os olhinhos pequenos, quase que fechados ao me olhar...

Adoro quando você me pega pela mão e me puxa para que meu abraço encontre o seu.

Adoro quando me olha de canto-de-olho parecendo meio que tímido, meio que querendo me confessar algo.

Adoro quando você briga comigo porque te chamei pelo nome ao invés da forma carinhosa pela qual você se acostumou a me ouvir.

Adoro quando você aperta minhas bochechas, quando você pisca pra mim, quando você sussurra:

"Oi."

Adoro pensar que você pensa em mim e me quer pertinho, mesmo eu sabendo que tudo isso pode ser puro fruto do meu iludido coração...

Adoro seu abraço, seu cheiro, seu jeito acanhado, mas decidido.
Não gosto quando não é decidido. Nem quando fica indiferente comigo por causa de alguma brincadeira infeliz que fiz.

Na verdade, não gosto quando você não consegue diferenciar momentos em que estou brincando de momentos quando falo sério. Me dói tanto te ver distante de mim, quase a me ignorar. Não faço por mal, só faço porque não sei guardar minhas emoções dentro de mim.

Me perdoe se minhas atitudes te fazem sofrer, porque isso eu não adoro fazer.

Adoro, sim, te fazer bem, te dar alegria.

Porque adoro seu jeito de falar, sempre tão certinho, tão correto, tão profundo e fiel. Fiel às palavras como eu tento sempre ser.

E, por mais que me incomode, adoro seus pequenos beliscões que me fazem sentir cócegas.

Adoro admirar você. Seu jeito inteligente e responsável, compenetrado, raro.

Adoro saber que você é único, como todos somos, sim, claro, mas você é um único diferente.
É alguém que merece ter da vida tudo de bom que ela pode dar. Alguém que merece receber de Deus as mais preciosas bênçãos.

E é para que você as receba que tenho orado todas as noites.

Ah... Pra mim, na minha mente, alguém que já tanto sofreu tem direito de sentir felicidade plena, de ser amado, de ser querido. Eu sei.

Só sei que adoro te ver sorrir. Muito mesmo. Adoro te fazer sorrir.

É. Acho que adoraria fazer isso por um longo, longo tempo. Fazer você feliz.


--
P.S: Não uso aqui variações da palavra adorar com o objetivo de idolatrar. Uso esse verbo somente porque seu significado é o espaço que separa o carinho que é gostar e a profundidade que é amar.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Eu, tempo, logo existo

Quem passa de vez em quando aqui no blog sabe que eu gosto muito de escrever sobre temas pelos quais, frequentemente, esbarramos durante a vida.

Hoje senti vontade de falar sobre o tempo.

Anda muito fresco na minha mente o pensamento de que somos frutos daquilo que o tempo fez, faz de nós.

E o que é o tempo?

Pra mim, é a soma do passado e do presente gerando resultados que levaremos conosco por toda a vida.

A questão é que nós, jovens, custamos em entender que o tempo também passa pra nós. E que o que fazemos hoje, as escolhas que tomamos, as ações que praticamos hoje, gerarão conseqüências que certamente colheremos mais cedo ou mais tarde.

Vivemos em função do tempo. É ele quem rege a vida.

Não quero dar a entender aqui que o tempo é uma força sobrenatural que faz o ciclo da vida girar. Não mesmo!

Até porque, acima do tempo, está Deus: Soberano e supremo acima de todas as leis da natureza e do conhecimento humano.

Mas, aqui na Terra, na vida medíocre que vivemos, é o tempo quem joga na nossa cara que não somos nada além de ignorantes e pequenos. Com doutorado ou sem. Somos ilhas de limitação e preconceito. E seremos assim até a morte.

Mas, enquanto essa não vem, o que mais fazemos é viver sobre o abrigo do tempo, que nos salva e nos faz padecer. Assim mesmo, ao mesmo tempo. No trabalho, nos estudos, no convívio social e familiar: O tempo dita regras.

No meu caso, deadlines, prazos e datas-limite são apenas termos sinônimos que cauterizaram minha mente. Hoje, não me desespero mais quando vejo que o tempo passou.

Entretanto, isso, infelizmente, não impede que eu lamente. Lamente por tudo de ruim que eu poderia ter evitado e que não o fiz, fazendo com que o tempo me presenteasse lágrimas.

Não impede que lamente o fato de o tempo não voltar, que ele é implacável e que, por isso, carregarei tristezas e arrependimentos por longos anos.

Porém, foi o tempo que me mostrou que eu melhorei. Que, independente das culpas, eu busco aproveitar o tempo que me foi dado. E o que ainda é.

Foi o tempo quem me mostrou que ele pode ser o conforto e a segurança que a maturidade oferece. Só através dele eu posso olhar pra traz e me orgulhar do que passou. E ainda dizer: valeu a pena!

E eu quero fazer valer a pena. Cada dia que me é dado de presente. Quero pensar que as tristezas do passado só fizeram o que eu sou hoje e eu preciso ver que hoje sou melhor que ontem.

É você hoje melhor que ontem?

Quero pensar que as idéias insensatas de ontem, foram, de certa forma, benéficas pra mim. Porque hoje eu as vejo como devaneios. Enxerguei meu erro.

Quero pensar que o tempo me fez mais bela, por dentro e por fora.

Quero acreditar que, apesar de o tempo também ter me feito regredir em alguns dos meus hábitos e opiniões, eu ainda posso moldar costumes e evoluir.

Quero pensar. Penso. Penso que o tempo me deu de presente a certeza de que nasci pras palavras e que elas me completam.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Carta àquele que não é si próprio

Hoje eu estava dando uma olhada em alguns arquivos do meu computador e encontrei o texto abaixo.
Na verdade, o escrevi em 2008, ano em que vivi uma fase bem complicada emocionalmente falando.

Resolvi escrever, num desabafo - tom que quase todos os meus textos possuem - uma crítica à passividade com que alguém que eu amei muito encarava a vida. E acho que ainda encara.

Enfim, apesar de ser uma "carta" dedicada à uma pessoa em especial, essas linhas podem valer para outras pessoas. Inclusive agora, ao de ler esse texto depois de quase 2 anos, percebi que tenho alimentado muitas das atitudes que critico no texto. Talvez seja a hora de reavaliar alguns dos hábitos da minha vida.


Carta àquele que não é si próprio


Você é uma mentira, uma farsa.
As coisas que você diz não são as que você faz.
As coisas que você demonstra gostar, você nem gosta tanto assim.

Já parou pra pensar nisso?

Esses ares de pessoa que aproveita a vida, essa ‘pinta’ de sociável não é você!
Eu sei que não!
Você parece tão simpático, tão doce, tão aprazível.
Tudo ludibriação, tudo conversa, tudo mentira!

Inclusive, se eu pudesse atribuir mais um sinônimo à palavra ‘mentira’, o sinônimo seria seu nome.
Eu sei que embaixo da máscara que cobre seu rosto existe alguém que quer atenção, quer amigos, quer ser amado e admirado. Mas também sei que até hoje não conseguiu nada disso de alguém. Ok, ok... Conseguiu. Mas não foi o suficiente, não foi pra vida toda. Nem pra boa parte dela.

Por isso, você é uma farsa.

Porque você não tenta se doar um pouco antes de querer ter suas necessidades satisfeitas?
Você vive num mundo que não é seu, com sonhos que não são seus, numa vida que não é sua. Vive uma vida que VOCÊ acha que os outros vão gostar, preocupando-se com o que elas acham, com o que elas vão pensar se você fizer assim ou assado.

E você é assim, mesmo jurando que não.

Teus valores estão enferrujados, seu amor está empedrado.
Empedrado nesse seu coração que pode ser de tudo, menos de carne.
Aí vem você falando que todos se aproximam de ti por interesse, te dando uma sensação de que todos querem te “passar a perna” e te derrubar.

Mas o mundo não quer te derrubar, querido! Ele todo nem te conhece pra querer isso. O que todos os serem humanos iriam querer com alguém que nem tem amor-próprio?

Não ache que as pessoas conspiram contra você. Ei! Ninguém quer roubar sua felicidade!
Pra ela acontecer, SÓ DEPENDE DE VOCÊ!
Descubra que o mundo, na verdade, não é composto só por seu umbigo. Ele é feito por cada um que está perto de você, por cada pessoa que pode te querer bem, por cada um que pode te ensinar algo e te fazer alguém melhor. A Terra é vastíssima, querido. É cheia de cores, de sensações, lições, de VIDA!

Viva a vida! Não se permita morrer aos 20 anos, 40, 70, 100. Não aceite a solidão, não aceite a mesmice, não tolere a enxurrada de idéias, conceitos e “achismos” alheios que só querem te fazer de fantoche.

Acorde!

Se é que você entende minha profundidade ao escrever-te esse texto...

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Senso crítico

Há duas semanas o professor de Jornalismo Opinativo, Ruben Dargã Holdorf, pediu para que os alunos da minha turma fizessem uma atividade diferente que permitisse desenvolver nosso senso crítico.

O professor elaborou um texto como se fosse um aluno de Jornalismo de uma universidade secular que indaga a qualidade do ensino do Unasp - um centro universitário confessional ligado à Igreja Adventista do Sétimo Dia.

Redigi minha resposta ao "estudante supercrítico" e gostei. E também vi que o texto dá um bom panorama sobre como funciona o curso de Jornalismo do Unasp. 
Por isso resolvi postar. Espero que gostem.
=]




Olá, querido estudante de jornalismo

Vou chamá-lo assim, de “estudante” apenas, já que você nem sequer assinou sua carta. Também sou adventista e, além disso, fiz o 1º e 2º ano de Jornalismo em uma universidade secular. Por isso, posso dizer com propriedade sobre as nítidas diferenças entre estudar em uma faculdade secular e em uma confessional. Mas não é isso que quero esclarecer. Você falou que não encontrou referência alguma sobre o Unasp no Guia do Estudante ou na Revista Imprensa. Mas você tentou os dados do ENADE, o exame que mede o rendimento dos alunos dos cursos de graduação “em relação aos conteúdos programáticos, suas habilidades e competências”? Segundo essa ferramenta do MEC, o curso de jornalismo do Unasp conquistou conceito 4 nas últimas duas provas, sendo 1 a “nota” mais baixa e 5 o melhor resultado possível. As avaliações são feitas a cada três anos. As últimas provas (realizadas em 2003 e 2006) tiveram seus resultados divulgados, respectivamente, em 2004 e 2007.


Você também mencionou o número deficitário de alunos matriculados no curso do Unasp. Prezado estudante, desde quando quantidade é sinônimo de qualidade? Se assim fosse, a superlotação nas penitenciárias brasileiras indicaria, automaticamente, qualidade no serviço carcerário. Mas, se você realmente “lê muito sobre tudo”, já sabe que essa não é uma realidade no nosso país. Minha turma, a única do 3º ano de Jornalismo, não tem mais que 15 alunos. A qualidade do material produzido pelos alunos e o rendimento dos professores ao aplicar seus conteúdos em sala são impecáveis. Temos atenção quase que exclusiva dos nossos mestres. Se minha sala contasse com 100 alunos, como suponho que a sua turma da universidade secular possui, muito provavelmente meus professores nem saberiam o meu nome.

Além disso, não interessa se nossa rádio aqui possui concessão ou não, se temos um jornal impresso com tiragem de 5 mil/mensais ou não, se o Canal da Imprensa parece morto ou não; o que importa pra nós são as oportunidades e o conhecimento aprofundado, prático e teórico, que recebemos aqui. Mesmo sem a infra-estrutura da sua "universidade secular" (como você mesmo denominou), conseguimos ir pras ruas praticar aquilo que nos foi ensinado em sala e alcançar conceito de ensino A no MEC. A Unasp FM oportuniza prática sim. Dezesseis alunos, de todos os anos do curso, se revezam para manter o veículo funcionando durante os três turnos do dia. O Canal da Imprensa, por sua vez, conta hoje com uma equipe de 10 alunos trabalhando todos os dias (muitos inclusive aos domingos e feriados), sem mencionar os repórteres/alunos voluntários e os professores que coordenam o trabalho.

Acho que lhe falta conhecimento. “Os únicos lugares recomendados aos formandos do Unasp para o trabalho são a Novo Tempo e a Casa Publicadora Brasileira”? Você fala sério? Que eu saiba, nós temos livre-arbítrio para aceitarmos, ou não, trabalhar no lugar X ou Y. Se eu gosto da ideia de trabalhar em órgãos da igreja, porque não? E mais. Se eu não quiser trabalhar em nenhum setor da “obra”, o curso de jornalismo do Unasp me capacita para TODO o mercado de trabalho - da igreja aos grandes veículos de comunicação como Folha de S. Paulo
, por exemplo. Porém, a garantia de sucesso não está na universidade, está no estudante, querido. É ele quem decide se vai vencer na vida ou não, dedicado colega. Cresci ouvindo minha mãe dizer que o aluno é resultado de uma soma de valores. Metade desses valores são construídos na escola e na faculdade, onde ele estuda e busca formação profissional. Os outros 50% correspondem ao fruto da educação que o indivíduo recebeu em casa. Ou seja, não me adianta receber o melhor ensino formal e ser uma pessoa de caráter duvidoso. Não somos seres com poder de se dividir em dois e ter um tipo de caráter pra cada corpo. O lugar aonde me formo ajuda a construir apenas 50% do todo que sou. Se me faltar o restante, de nada adianta. Então, cuidado com essa ideia de que “prefiro me garantir numa universidade de nome”. Nome, hoje em dia, não garante mais ninguém, meu caro. Um profissional formado na USP, Cásper ou PUC que não têm escrúpulos é inútil para o mercado.

E, pra finalizar, creio que, além de todas as informações equivocadas contidas no seu texto, falta-lhe conhecimento sobre o Deus da religião da qual você diz fazer parte. Se você cresse realmente nEle, saberia que Ele jamais abandona Seus filhos, portanto, estudando no Unasp ou na Conchinchina, posso ter sucesso garantido. Muitos que estudam aqui o devem fazer realmente como fuga ou comodismo, mas muitos outros, inclusive eu, vieram para cá, entre outros motivos, não por fuga, mas em busca de um relacionamento verdadeiro e profundo com Deus, coisa que você deveria procurar fazer.


segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Coerência

“Palavras podem até me conquistar temporariamente, mas atitudes me ganham ou me perdem para sempre”


Hoje eu entendo qual é a maior qualidade que um homem pode ter.

Nada de maturidade, respeito, inteligência, sensibilidade... Alguns poderiam até enumerar sinceridade, dinheiro, beleza...

Mas não. A maior qualidade que um homem pode ter foge de características acessórias, aquelas que são apenas adereços.

Eu me refiro à característica de sermos coesos, ou seja, a maior qualidade que um homem pode ter é agir de pleno acordo com aquilo que ele diz ser e crer.

Explico.

Um homem que diz ser inteligente vai provar isso de fato, ou não, naturalmente, com o passar dos dias.

Um homem que se diz sensível, vai mostrar sua sensibilidade através de suas ações doces e educadas, ou não. É natural, é lógico.

Portanto, um homem que deixa claro que é um tremendo trapaceiro e vive uma vida de trapaça, está apenas sendo coerente, afinal, aquilo que ele disse que era foi comprovado! É simples.

Ainda não fui clara? Ok. Detalho ainda mais:

O que falta no mundo não são homens que dizem odiar a injustiça, são aqueles que provam odiá-la através de suas ações.

Não faltam homens que gritem aos quatro ventos: “não tolero mentiras!” Faltam homens que, através de sua vida, não praticam o que dizem ser intolerável.

As pessoas não carecem de homens que falem de amor. Nós precisamos de homens que pratiquem o amor, daqueles agem genuinamente em nome desse sentimento.

Talvez agora você se pergunte: é possível resumir tudo isso em apenas uma expressão? A resposta é uma só: sim! E a palavra que resume é HONESTIDADE - verbete que parece não existir na vida da maioria dos seres humanos.